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A Metodologia PJ – MAIS



O Programa teve início em 1996, quando a coordenação da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (RBCV) procurou a UNESCO com o objetivo de desenvolver um inovador modelo de treinamento de jovens em ações voltadas ao meio ambiente. A idéia era contribuir com a construção de um programa que foi iniciado em 1990 pelo governo do estado de São Paulo em colaboração com a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), denominado “Práticas Agroflorestais e a Participação do Jovem em Áreas Periurbanas – O Caso São Paulo” e destinado a cobrir uma série de temas relevantes para a Reserva da Biosfera, além da agrofloresta. Inicialmente, em 1996, um projeto piloto denominado “Treinamento Ecoprofissional Integral para Conservação da Biodiversidade e Uso Sustentável” foi implantado no município de São Roque , envolvendo vários parceiros. Posteriormente, o programa passou a ser denominado Programa de Jovens – Meio Ambiente e Integração Social e, em seus 14 anos de existência, foi implantado em 15 dos 78 municípios da RBCV.
A proposta pedagógica do Programa de Jovens tem como ponto de partida uma visão e concepção de mundo complexo, sistêmico, dinâmico, orgânico, integrado, interdependente, em permanente processo de transformação e mudança.
Seus principais pressupostos são que:


  • Só é possível entender esse mundo e buscar soluções para os complexos e interdependentes problemas sociais e ambientais, se a humanidade também for capaz de desenvolver pensamentos complexos, sistêmicos e integrados, além de adotar atitudes transdisciplinares comprometidas com a vida e a sustentabilidade;
  • O ser humano é capaz de, ao interagir com seu meio interno e externo, apreender as informações, processá-las e interpretá-las; e deste modo construir seus múltiplos aprenderes da vida e do mundo, desenvolvendo e realizando também suas múltiplas formas de inteligências.


A proposta pedagógica de formação integral do PJ-MAIS parte desta visão de mundo (complexo, dinâmico, sistêmico, e integrado) e toma como base a abordagem transdisciplinar, as técnicas do planejamento estratégico participativo e os conceitos de ecomercado de trabalho e de consumo responsável.
A abordagem transdisciplinar é utilizada para a leitura da realidade e as técnicas do planejamento estratégico participativo para trabalhar a interferência co-responsável no meio sócio-ambiental. Os conceitos de ecomercado de trabalho e de consumo responsável (consigo, com seu próximo e com o meio social e ambiental em que se vive) são utilizados para trabalhar o eco-empreendedorismo.
Assim, é desenvolvida uma proposta de formação integral da pessoa, com a realização de seu programa potencial, por meio da formação ecoprofissional e do desenvolvimento de seu espírito eco-empreendedor.


São Roque está situada a 60 km da cidade de São Paulo e faz parte da área abrangida pela RBCV. Abrange uma área de 308 km2, dos quais mais de 50% é rural, contando com uma população de mais de 60.000 habitantes, cuja principal fonte de renda vem de produtos agrícolas, produção orgânica e turismo.


É condição para que esses potenciais do ser humano realizem-se que as suas necessidades essenciais de vida sejam atendidas e lhes sejam oportunizadas vivências interativas consigo próprio, com seus semelhantes e com seu meio social e natural. Nesse processo de diálogos e interações vão-se incorporando novos conhecimentos e ampliando-se a capacidade de leitura e interpretação de seu meio social e natural, construindo conceitos, valores, princípios, hábitos, costumes, culturas e consolidando atitudes, comportamentos e caráter. A este processo tripolar de formação (autoformação - diálogo consigo; heteroformação - diálogo com o outro e ecoformação - diálogo com seu meio social e ambiental) deve-se a formação integral do ser humano.
Os aprenderes desenvolvidos pelo conhecer, fazer, conviver, ser, participar, antever, decidir, planejar, ter, partilhar e outros, são transformados em instrumentais indispensáveis para o processo de conscientização humana, social e ambiental e, consequentemente, para a construção da cidadania e da capacidade de participar dos processos construtivos da realidade coletiva.
Para tanto, o processo educativo e formativo do eco-empreendedorismo deve estimular o despertar de todas as potencialidades latentes no jovem e criar as oportunidades de vivências produtivas e reflexivas de bens e serviços, desenvolvendo a capacidade de iniciativa, a partir das visualizações de cenários possíveis dentro dos princípios de sanidade, solidariedade e sustentabilidade tanto das gerações presentes quanto das futuras.
O PJ-MAIS é gratuito para os estudantes e é desenvolvido em Núcleos de Educação Ecoprofissional (NEE), instalados nos municípios integrantes da RBCV, de acordo com as características de cada município. Tem duração de quatro módulos semestrais, sendo o 1º módulo voltado a despertar vocações, interesses e vontades; o 2º módulo voltado a instrumentalizar para a capacitação na ação; o 3º módulo é voltado para contextualizar as ações inclusivas e co-responsáveis e o 4º módulo voltado à geração de competências ecoprofissionais. Durante os quatro módulos, o Programa trabalha o jovem na sua inteireza, encorajando-o a pensar, refletir tomar decisões e praticar a ética e a cidadania.
O treinamento ecoprofissional acontece simultaneamente à educação do ensino médio, no contraturno. Essa formação implica na criação de oportunidades de participação, treinamento e capacitação em quatro oficinas temáticas: Produção e Manejo Agrícola e Florestal Sustentáveis (PROMAFS); Turismo Sustentável; Consumo, Lixo e Arte; Agroindústria Artesanal. Estas oficinas práticas e reflexivas, de caráter produtivo, abrangem os três setores da economia (primário – PROMAFS; secundário – Agroindústria Artesanal; terciário – Turismo Sustentável) e uma ampla gama de possibilidades de atuação ecoprofissional dos jovens no chamado ecomercado de trabalho.
A oficina PROMAFS tem como principal objetivo capacitar o jovem para a atuação ecoprofissional nas práticas agrícolas e florestais, em bases sustentáveis. Acredita-se que conhecer os principais processos ecológicos e os vetores antrópicos de degradação ambiental estimula a formação de um espírito investigativo e critico para apoiar a gestão das áreas protegidas, enquanto a implementação de sistemas agroecológicos de produção, a recuperação de áreas degradadas e o manejo florestal, orientam os projetos de vida dos jovens e reduz os impactos negativos no meio ambiente.
A oficina Agroindústria Artesanal capacita jovens para as práticas de processamento de alimentos saudáveis em pequena escala, produzidos em regime de sustentabilidade ambiental, considerando que a qualidade da alimentação está diretamente relacionada à qualidade de vida do ser humano, além de estimular a higiene, a mudança de hábitos e a geração de renda.
A oficina Consumo, Lixo e Arte capacita jovens para utilização alternativa dos resíduos como matéria-prima para a produção de artesanato, estimulando o questionamento do modelo de produção e consumo da sociedade e a mudança de hábitos, valorizando a qualidade de vida no planeta.
A oficina Turismo Sustentável capacita e prepara o estudante para a atuação ecoprofissional no turismo local em bases sustentáveis, valorizando e conservando o ambiente, a cultura, as comunidades e o ecomercado de trabalho de suas regiões, com base na atuação solidária, cidadã e ética.
As turmas do PJ-MAIS estão dimensionadas para abrigar até 30 alunos. Observa-se, no entanto, uma desistência ao longo do programa, em parte justificada pela não-identificação vocacional do jovem com a área de meio ambiente (principalmente no Ciclo Básico) ou pela não-identificação com as qualificações oferecidas pelas quatro oficinas do Programa (principalmente no Ciclo de Especialização).
A cada 2 semestres, uma nova turma é selecionada, de modo que os novos alunos convivam com os antigos e sejam por eles tutorados.
Todos os módulos têm aulas de 3 a 4 dias na semana, dependendo do número de oficinas temáticas trabalhadas (3 ou 4 oficinas), que por sua vez é função da realidade do ecomercado local. As aulas têm 4 horas de duração e são divididas em práticas e teóricas e a formação integral (vivências para o seu desenvolvimento pessoal).
O primeiro módulo segue a carga horária mínima de 156 horas no semestre, sendo 42 horas por semestre para cada oficina temática, e a formação integral com 30 horas.
O segundo módulo segue com 204 horas no semestre, completando a carga horária obrigatória de 360 horas por ano e suas atividades distribuem-se em 3 ou 4 oficinas, com 58 horas por semestre cada, e a formação integral, com 30 horas.
Os terceiro e quarto módulos seguem com 180 horas por semestre, cada um, com aulas teóricas, pesquisa de campo e bibliográfica. O número de oficinas temáticas é variável em função das escolhas dos jovens, sendo obrigatória a formação integral, com 30 horas por semestre. Nestes módulos são trabalhados os projetos pessoal e profissional dos jovens e o projeto de inserção na sua comunidade.
A consolidação de um PJ-MAIS local é esperada para o seu terceiro ano de funcionamento, a partir do qual, existindo demanda e a necessária estrutura, as novas turmas poderão ser admitidas a cada semestre.
Durante o processo de capacitação, o PJ-MAIS trabalha o desenvolvimento do ecomercado local, objetivando a ampliação da oferta de trabalho e renda para os jovens que participam do Programa, inclusive oferecendo bolsas para esses jovens nos seus projetos.
O Programa de Jovens trabalha em rede e possui um calendário fixo de eventos:


  • A rede do Programa conduz um sistema de gestão democrático com calendário de eventos que asseguram reuniões mensais de coordenação participativa, das quais participam as coordenações das equipes pedagógicas de todos os PJ-MAIS.
  • Complementando essa capacitação e atualizações periódicas o calendário prevê um encontro de técnicos no início do ano para o planejamento e uma semana de capacitação técnica no meio do ano para aprofundamentos demandados. Essas reuniões são realizadas em sistema de rodízio pelos diferentes Núcleos de Educação Ecoprofissional, que abrigam o PJ-MAIS, de forma a permitir que as características locais sejam vivenciadas por toda a rede do Programa.
  • Periodicamente, um seminário de ecomercado de trabalho permite a reflexão, a promoção e a difusão do conceito e de sua prática, em caráter regionalizado.
  • O encontro anual de todos os estudantes da rede para a integração e confraternização ocorre no final de cada ano, enquanto que encontro de estudantes monitores, que cursam o 2º ano no núcleo para a preparação e capacitação ao exercício da monitoria solidária inclusive dos novos alunos de 1º módulo, ocorre no 2º bimestre de cada ano.
  • O turismo irmanado entre estudantes da rede de municípios, que abrigam o PJ-MAIS, tem sido um movimento de capacitação dos jovens para o turismo emissivo e receptivo ao mesmo tempo em que, pelo menos uma vez ao ano, oportuniza aos jovens conhecer o potencial histórico, cultural e ambiental dos municípios da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo.


Os jovens que concluem os 4 módulos do Programa recebem certificado de conclusão de curso, emitido pelo Instituto Florestal (IF).
Em 2006, os Núcleos de Educação Ecoprofissional do PJ-MAIS constituíam uma rede que abrigava cerca de 265 estudantes e 80 técnicos e educadores, ligados a prefeituras, empresas, organizações não-governamentais e voluntários. Entre os anos de 2000 e 2005, o PJ-MAIS viabilizou 560 oportunidades ecoprofissionais.
O PJ-MAIS levou, em 2000, a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde a ser selecionada pela UNESCO para receber um financiamento da Fundação Nações Unidas. Em 2001, o Programa ficou em 1º lugar em concurso promovido pela UNESCO para premiar os melhores projetos das Reservas da Biosfera da América Latina e do Caribe e em 2005, foi um dos 32 projetos premiados pelo Programa Development Marketplace, entre 2700 projetos do mundo todo. O Programa Development Marketplace é uma iniciativa do Baco Mundial.
Entre os anos de 1996 e 2006, foram atendidos pelo Programa mais de 1.300 jovens.

 



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